Crônica · Reabilitação Total Setembro · 2024 8 min de leitura

ITI Regional Meeting Manaus:
a ciência mundial do arco total,
no coração da Amazônia.

No dia 02 de setembro de 2024, o Teatro Manauara recebeu três palestrantes do International Team for Implantology para discutir as três rotas atuais da reabilitação de arcos totais, e por que nenhuma delas serve a todos os pacientes.

Em 2021, o mundo tinha 330 milhões de pessoas sem nenhum dente. Em 2050, serão 550 milhões. Hoje, apenas 1% delas chega a um tratamento reabilitador com implantes. O resto convive — em silêncio — com perda de função mastigatória, déficit nutricional, alteração da face, isolamento social.

Edentulismo não é uma condição odontológica. É uma condição humana. E é por isso que ele precisa ser tratado com o que a ciência oferece de mais avançado, não com o que cada cirurgião sabe fazer melhor. Esse foi o ponto de partida do ITI Regional Meeting Manaus, realizado em setembro de 2024 no Teatro Manauara.

330M
Edêntulos totais no mundo em 2021
550M
Projeção para 2050 — crescimento de 67%
1%
Apenas 1% dos edêntulos é reabilitado com implantes

i.O motivo de Manaus na rota.

Um Regional Meeting do International Team for Implantology , o ITI, fundado na Suíça em 1980 e hoje a maior rede científica de implantodontia do mundo, não acontece por acaso.  Ele acontece onde há massa crítica de profissionais qualificados, infraestrutura para receber um evento internacional e, principalmente, demanda científica real.

Manaus, ao receber o meeting, foi reconhecida nas três frentes. E mais: o tema escolhido — reabilitação de arcos totais em maxilas atróficas — é exatamente o tipo de discussão que define o estado da arte da implantodontia contemporânea. Não é tema introdutório. É o lugar onde ciência, cirurgia e prótese se encontram nas suas formas mais exigentes.

ii.Três palestrantes, três rotas para o mesmo problema.

Quando se fala em maxila severamente atrófica, o cirurgião contemporâneo tem essencialmente três caminhos. O meeting trouxe um especialista de referência para cada um deles.

Brasil
Dr. Gustavo Macedo
Reabilitação total · enxerto vs. ancoragem

O atual dilema da reabilitação de maxilares atróficos: reconstrução vs. implantação.

Brasil
Dr. Fernando Duque
Fluxo digital · planejamento reverso

Fluxo digital aplicado à cirurgia de maxilas atróficas.

A presença do Dr. Sepehr Zarrine merece destaque próprio. Reconhecido internacionalmente como um dos maiores nomes mundiais em implantes zigomáticos, Zarrine atravessou o Atlântico para apresentar a Manaus os protocolos cientificamente validados que ele mesmo ajudou a consolidar, com foco em segurança, eficácia e previsibilidade em casos onde a maxila não oferece mais ancoragem convencional.

Que um profissional desse calibre divida o palco com cirurgiões brasileiros em Manaus diz algo importante: a fronteira da ciência implantar deixou de ter um único endereço. Ela acontece onde se decide que vai acontecer.

Encerramento · ITI Regional Meeting Manaus · 02 · 09 · 2024

iii.O dilema do arco total: por que o "one fit all" não existe.

Minha palestra abordou o que considero o dilema central da reabilitação total contemporânea: quando reconstruir o osso e quando contornar a falta dele com ancoragem alternativa? A resposta honesta é desconfortável para quem busca protocolos rígidos: não existe técnica única que sirva a todos os pacientes.

O "one fit all" não é uma possibilidade clínica séria. Pensar que o mesmo tratamento serve a todos os edêntulos totais é ignorar o que a ciência tem mostrado nas últimas duas décadas. A decisão precisa ser caso a caso, e ela passa por critérios objetivos:

Apresentação · Reabilitação de maxilas atróficas · Teatro Manauara

Técnicas modernas mudaram o que se considera reconstrução obrigatória.

Há quinze anos, atrofia severa significava enxerto ósseo extenso quase por padrão. Hoje, ferramentas como osseodensificação, implantes estreitos, implantes curtos e técnicas de ancoragem, como os implantes zigomáticos, reabriram o debate. Em muitos casos, é possível reabilitar com previsibilidade sem reconstruir o osso perdido, desde que a indicação seja precisa.

Em outros, a reconstrução continua sendo a melhor escolha. O ponto não é eliminar uma técnica em favor de outra. É parar de defender técnicas como se fossem identidades profissionais, e voltar a defender o paciente que está na cadeira.

A pergunta certa não é "qual é a melhor técnica para arco total?".  Mas sim:  é "qual é a melhor técnica para este arco total?".  DR GUSTAVO - ITI REGIONAL MEETING MANAUS

iv.O que fica.

Eventos como o ITI Regional Meeting Manaus deixam mais do que conteúdo científico. Deixam um padrão. Quando a comunidade da implantodontia brasileira vê três palestrantes dessa qualidade dividindo o mesmo palco em uma cidade do Norte para discutir, de forma rigorosa, o estado da arte do arco total, uma mensagem fica registrada: a ciência não tem CEP.

A Amazônia não é periferia técnica. Manaus tem capacidade de sediar, receber e devolver à comunidade internacional discussões do mais alto nível. E isso não é declaração de marketing, é o legado que ficou demonstrado no dia 02 de setembro de 2024.

Os 330 milhões de edêntulos de hoje, e os 550 milhões projetados para 2050, vão precisar de cirurgiões que tenham coragem de abandonar protocolos únicos, que dominem múltiplas rotas técnicas, e que escolham cada uma delas pelo motivo certo: o paciente. Encontros como esse formam, exatamente, esse tipo de cirurgião.

Manaus não foi escolhida.
Manaus se posicionou.

Reabilitação de arco total é uma das minhas expertises.

Casos complexos, segunda opinião, planejamento de reconstrução vs. ancoragem alternativa. Avaliação clínica privada, sob agenda restrita, em Manaus.